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Yom Haatzmaút: O dia da Independência de Israel

5784 / 2024

5 de Yiar  /  13-14 Maio

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Desde o dia 14 de maio de 1948, 5 de Yiar de 5708 no calendário judaico, celebramos todos os anos o Dia da Independência do Estado de Israel. Em Israel, todo o país celebra com festas, apresentações e, às vezes, desfiles militares. Yom Haatzmaút é precedido por Yom haZikarón – o dia em memória de soldados e soldadas que morreram lutando por seu país. As observâncias públicas incluem acender velas, visitar túmulos, recitar Salmos e acender uma tocha que queima por 24 horas. No final do dia, sirenes soam e alguns minutos de silêncio são observados enquanto todo o país para. Em algumas comunidades judaicas reformistas e liberais, realiza-se um inovador serviço de Havdalá, para que se faça a passagem do dia de luto e tristeza para o dia de celebração e alegria, dando início oficialmente a Yom Haatzmaút.

Sendo uma data relativamente recente na história do Povo Judeu, muitas comunidades têm criado ritos e orações para celebrá-la. Por exemplo, no sidur reformista existe todo um serviço religioso especialmente preparado para Yom Haatzmaút. Já no sidur masorti/conservador, no momento de rezar a Amidá e a Birkát HaMazon (oração de gratidão após as refeições), encontramos uma oração Al haNissim semelhante às tradicionais orações de Purim e Chanucá. Há quem inclua, depois das leituras da Torá, uma haftará especial e a leitura da Declaração de Independência de Israel, inclusive com a cantilação típica das leituras na Torá e nos demais livros sagrados.  Costuma-se incluir também poesia sobre Israel e poesia israelense, passando de Yehuda haLevi a Ḥaim Naḥman Bialik e daí para poetas, cantores e cantoras israelenses atuais.

É comum também decorar a sinagoga com bandeiras de Israel e se oferecer um kidush a base de comidas da gastronomia israelense, como por exemplo falafel e sucos consumidos comumente em Israel, como suco de romã e de cenoura

 

Reflexão do Rabino Michael Strassfeld sobre Yom HaAtzmaút

Qual é a relação da Diáspora com Israel? Uma posição sionista comum nega a Diáspora e exige que todos os judeus façam aliá para Israel. Outra posição amplamente difundida afirma que Israel é o centro e a Diáspora é a periferia, que é auxiliada e auxilia esse centro. 

No entanto, pode-se argumentar a favor de defender a validade da Diáspora e, ao mesmo tempo, não negar a importância de Israel. Tanto Israel quanto a Diáspora têm valor e propósito e, nessa visão, ambos são necessários para se complementarem. Durante séculos, a vida judaica permaneceu desequilibrada: com Diáspora, mas sem Israel. Agora devemos nos alegrar com a restauração desse equilíbrio e não tentar desequilibrar a equação mais uma vez, removendo a Diáspora.

Por que ambos são necessários? O caso da Diáspora e de Israel como dois centros contemporâneos pode ser melhor explicado utilizando os símbolos dos dois centros de experiência religiosa e revelação na tradição judaica – o Monte Sinai e o Monte Moriá, ou mais simplesmente: Sinai e Jerusalém.

A Torá do Sinai é familiar para nós como o modo de vida de nosso povo durante os 2 mil anos da Diáspora. Tem sido a preocupação diária de milhões de judeus. Como tal, não pode ser acidental que a revelação desta Torá tenha ocorrido fora da Terra de Israel, no Monte Sinai. O Sinai é simbolizado pela sarça ardente, composta pelos elementos de fogo e madeira, que vivem juntos em vez de consumirem um ao outro. O mato representa um povo humilde que sofre, mas que às vezes transforma o fogo da tortura no farol que brilha de iluminação.

No entanto, há outra Torá, uma Torá ainda a ser imaginada para nós pelos profetas, como ela diz: “…Pois de Tzion sairá a Lei; e a palavra do Eterno, de Jerusalém... Transformarão suas espadas em arados e as suas lanças em foices; nenhuma nação levantará sua espada contra outra nação, nem aprenderá mais a guerrear; mas cada pessoa se sentará debaixo da sua videira e debaixo da sua figueira, e ninguém os fará temer.” [Miqueias 4:2, Isaías 2:3 em diante]

(...)Enquanto os profetas falam desta Torá que virá apenas no fim dos dias, em nosso tempo, com a restauração do Estado [de Israel], devemos começar a criar essa Torá. Pois a Torá de Jerusalém lida com as questões nascidas da soberania, do saneamento à guerra e à paz. Se a Torá do Sinai nos mostrou como sobreviver como uma minoria entre outros povos, a Torá de Jerusalém deve nos ensinar como sobreviver como uma maioria que detém o poder sobre uma minoria.

Precisamos de ambas, pois apenas coma Torá de Israel seria fácil fazer do nacionalismo uma idolatria. Acabaríamos nos deleitando com a terra, o sangue e o poder. Mas apenas com a Torá do Sinai, poderíamos continuar a nos deleitar com a abstração e a impotência, construindo mundos... Juntas, elas se equilibram, adicionando universalismo ao particularismo, pragmatismo ao idealismo e futuro ao passado.

Precisamos de ambas as Torot. Pois, embora devamos fazer aliá para Jerusalém e para a sua Torá, devemos continuar a fazer aliá para a Torá no Sinai, sendo chamados à sua leitura na sinagoga.

Rabino Uri Lam

baseado no livro The Jewish Holidays, do Rabino Michael Strassfeld

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