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Chanuka

5784 / 2023

25 de Kislev a 3 de Tevet /  7 à noite a 15 de Dezembro

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O QUE É CHANUKA

Chanuka é uma festa de oito dias que celebra a reinauguração do Templo Sagrado de Jerusalém há quase 2.200 anos. O Templo havia sido profanado pelos selêucidas, do Império Grego, mas os macabeus lutaram para reconquistá-lo e reinaugurá-lo, resgatando o seu papel central na vida judaica de então. 

Conhecida também como a Festa das Luzes, pela ênfase no acendimento diário e das velas da Chanukiá, no calendário judaico Chanuka vai do dia 25 de Kislev ao dia 3 de Tevet, o que em geral coincide com os dias de dezembro, nas noites mais longas do ano no Hemisfério Norte - e as mais curtas no Hemisfério Sul, em particular no Brasil. 

Em Chanuka celebramos a libertação da opressão e a valorização da identidade judaica, assim como fortalecemos o respeito pelas tradições de outros povos, em favor da liberdade de religião.  

COMO SE COMEMORA CHANUKA

Grande parte das comemorações de Chanuka ocorrem em casa. Acende-se a Chanukiá ou Menorá de Chanuka, um candelabro de oito braços. Tradicionalmente, no primeiro dia se acende uma vela, no segundo duas e assim por diante, de modo que na oitava noite a Chanukiá esteja com suas 8 velas acesas. Esta é a tradição da Escola de Hilel. Mas há outra tradição, a da Escola de Shamai, segundo a qual na primeira noite acendem-se todas as oito velas, na segunda noite sete velas e assim por diante, até que na última noite se acende somente uma vela.  

 

ACENDIMENTO DAS VELAS DE CHANUKA (2023 / 5784) 

Colocar a Chanukiá ou as Chanukiot em lugar visível, para que possa ser vista pela janela.

 

 

 

 


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1ª benção 

Baruḥ Atá Adonai, Elohênu Méleḥ haolám, asher kideshánu bemitzvotav vetzivanu lehadlik ner shel Chanuká. 

Abençoado seja, Eterno, Nosso Deus, Soberano do Universo, por nos santificar com Suas mitzvot e nos ordenar acender as velas de Chanuka. 

2ª benção   

Baruḥ Atá Adonai, Elohênu Méleḥ haolám, sheassá nissim laAvotênu uleImotênu, baiamim hahêm, bazmán hazé. 

Abençoado seja, Eterno, Nosso Deus, Soberano do Universo, por ter realizado milagres em favor dos nossos antepassados naqueles tempos, nesta época do ano. 

Somente na primeira noite 

Baruḥ Atá Adonai, Elohênu Méleḥ haolám, sheheḥeiánu vekiimánu vehiguiánu lazmán hazé. 

Abençoado seja, Eterno, Nosso Deus, Soberano do Universo, por ter nos feito viver, resistir

e chegar até este momento.  

Depois que as velas foram acesas, podemos cantar: 

HANEROT HALALU 

Hanerot halalu anu madlikim (2x) 

al hanissim, veal haniflaot veal hateshuot veal hamilḥamot,

sheassíta laavotênu, sheassíta leimotênu, 

baiamim hahêm (3x) bazmán hazé. 

Acendemos estas velas para nos mantermos conscientes dos milagres, maravilhas e momentos de salvação, entre conflitos e guerras, que Você nos proporciona desde os tempos dos nossos antepassados até os nossos dias.

 

MAOZ TZUR

Maoz Tzur ieshuati, Leḥá naê leshabêaḥ. 

Tikon beit tefilati, veshám todá nezabêaḥ. 

Leêt tashbit matbêaḥ, mitzar teravêaḥ.  

Az egmor beshir mizmor, ḥanukát hamizbêaḥ. 

(versão: Sidur Tefilát Haadám, Yahadut Mitkadémet, Israel) 

 

Minha Rocha da Salvação, em todos os tempos!  

Cantar em Seu louvor é um prazer. 

O nosso Templo está restaurado e lá iremos para Lhe agradecer. 

Quando Você colocar um fim ao nosso jugo e do inimigo nos livrar, 

Cantaremos hinos de gratidão, na reinauguração do altar. 

(tradução: Rabino Uri Lam) 

Aprendemos no Talmud (Bavli, Shabat 21b) diversas formas de acender velas em Chanuka: 

1. A mitzvá básica: acender uma vela por dia, para si mesmo e sua casa.

2. Uma pessoa meticulosa deve acender, diariamente, o número de velas equivalente ao número de pessoas que vivem na mesma casa. 

3. Para uma pessoa mais meticulosa há duas maneiras de acender as velas:

a. A Casa de Shamai: no primeiro dia acender oito velas. A partir daí, a cada dia acender uma a menos até que, no último dia, só uma vela é acesa. 

b. A Casa de Hilel: no primeiro dia acender uma vela. A partir daí, a cada dia acender uma a mais até que, no último dia, oito velas são acesas. 

A PRÁTICA TRADICIONAL DA CASA DE HILEL

Usa-se o shamásh, a vela-piloto (que fica no meio ou na ponta esquerda da Chanukiá) para acender a vela na ponta direita da Chanukiá na primeira noite. Na noite seguinte acende-se, nesta ordem, a segunda e a primeira velas à direita; e assim por diante. Na última noite acende-se a oitava vela, na ponta esquerda, depois as demais, até acender a vela da ponta direita. 

Para Hilel, devemos buscar sempre aumentar a luz espiritual. Segundo a Rabina Marcia Prager, “a abordagem de Hilel é começar devagar... acenda apenas uma vela; isso é algo que toda pessoa pode fazer. No dia seguinte acenda duas... e então três... Caso pretenda fazer uma grande mudança, dê passos pequenos, mas consistentes... e logo a sua Chanukiá estará completa.” 

A PRÁTICA DA CASA DE SHAMAI

Na primeira noite usa-se o shamásh para acender as oito velas, começando pela ponta esquerda da Chanukiá. Em seguida acendem-se as demais até chegar à vela da ponta direita. Na segunda noite coloca-se uma vela a menos e se acende a sétima, do lado esquerdo, depois as demais, até chegar à vela da ponta direita; e assim por diante. Na oitava e última noite, acende-se somente uma vela, na ponta direita da Chanukiá. 

A Rabina Marcia Prager comenta: “Precisamos de uma explosão de energia para nos fazer começar – uma onda brilhante, de luz amorosa e curativa, que afaste qualquer resistência e purifique nossos corações. Depois disso, a cada dia fica mais fácil, até que, na última noite, uma única chama é suficiente para limpar até mesmo o último remanescente de qualquer coisa obstrutiva...”. 

Ambas as práticas são consideradas Leshém Shamáim, a serviço de Deus. Não há certo ou errado, mas sim darmos o melhor para servir a comunidade. 

Sugiro que passemos a acender duas Chanukiot: segundo Hilel e segundo Shamai. Ao seguirmos as duas tradições, sem reduzir uma à outra nem privilegiar uma em detrimento da outra, teremos mais luz.

Reb Zalman Schachter dizia: “Às vezes podemos precisar de ambos os lados ao mesmo tempo.” 

COMIDAS TÍPICAS

Em comemoração ao lendário milagre do óleo, é tradicional comer alimentos fritos. As comidas mais típicas são: 

Latkes: panquecas de batata de tradição ashkenazí (Europa Oriental). 

Sufganiot: sonhos ou donuts recheados com geleia, típicos israelenses.

OUTRAS TRADIÇÕES

Na sinagoga: enquanto o povo se alegra e se dedica a acender as velas da Chanukiá, cercada de bençãos e canções, no rito religioso sinagogal foi criada uma oração que ficou conhecida como “Al haNissim”, Sobre os Milagres. Esta oração, incluída como parte da Amidá – a Grande Oração, rezada 3 vezes por dia – relata os milagres do heroísmo de poucos que lutaram contra muitos, e venceram, com o apoio de Deus. Oprimidos pelos selêucidas e por um governo judaico corrompido e assimilado, a narrativa revisada da história de Chanuka apresenta Deus como aquele que reverte o destino dos judeus na luta contra seus opressores, levando-os a uma vitória impossível de outro modo.  

Chanuka Gelt: Dar pequenas quantias de dinheiro, nozes, passas ou moedas de chocolate para as crianças nesta época. Em alguns lugares, tornou-se comum dar pequenos presentes para as crianças, às vezes até nas oito noites de Chanuka. 

Dreidel ou Sevivon: é um pião com quatro faces, cada uma marcada com uma letra hebraica diferente: (Nun, Guimel, Hê, Shin ou Pê). As letras no dreidel são as primeiras de uma afirmação em hebraico que diz: “Um Grande Milagre Aconteceu Lá” (em Israel). Em Israel, a última letra, Shin, é substituída pela letra Pê.

A oração fica então assim: “Um Grande Milagre Aconteceu Aqui”. 

O costume de jogar dreidel em Chanuka é baseado em uma lenda de que, na época dos Macabeus, quando as crianças judias eram proibidas de estudar Torá, elas desafiavam o decreto e estudavam mesmo assim. Quando um oficial grego se aproximava, elas guardavam seus livros e colocavam os piões para fora, alegando que estavam apenas brincando. Por outro lado, parece ser algum tipo de jogo da época da Alemanha medieval. 

Como se joga Dreidel? 

Usam-se moedas de chocolate, doces embrulhados, nozes ou até fichas de plástico. No início de cada rodada, cada jogador coloca uma peça de jogo no meio da “mesa”. Os jogadores se revezam girando o dreidel. Quando cai em Nun, nada acontece; em Guímel, Ganha Tudo da mesa; em Hê, recebe metade das peças da mesa; e Shin, o jogador/a jogadora deve colocar uma peça (ou moeda) na mesa.  

ORIGENS HISTÓRICAS DE CHANUKA

No séc. 2 aec, os judeus da Judeia se revoltaram contra a opressão do rei Antíoco Epifanes IV, do Império Selêucida. Na liderança da revolta estavam os ḥashmonaím ou hasmoneus, uma família judia sacerdotal.

A história está relatada no Livro dos Macabeus, obra que, embora judaica, não foi incluída pelos antigos rabinos entre os 24 livros do Tanach, a Bíblia Hebraica; mas está incluída na Bíblia Católica, no Velho Testamento. 

Depois que o Templo foi profanado pelos selêucidas, do império grego-assírio, Matitiahu, da família sacerdotal dos ḥashmonaím, deixou Jerusalém para viver em Modiín, não muito longe dali. Na mesma época, muitos judeus vinham assimilando costumes e práticas helenistas e se afastando dos valores e práticas judaicos.

Em 167 aec um altar não judaico foi erguido em Modiín, e Matitiahu e seus filhos foram chamados para inaugurá-lo com a primeira oferenda. O cohen (sacerdote) se recusou, mas outro judeu convidado levou sua oferenda ao altar pagão. Furioso, Matitiahu avançou, matou o judeu e o funcionário selêucida que fez a convocação para a inauguração do altar – que também foi derrubado: começava a guerra. 

Matitiahu e seus filhos subiram às colinas da Judeia, reuniram outros judeus e montaram grupos de guerrilha para combater os selêucidas. A guerra foi liderada pelo terceiro dos cinco filhos de Matitiahu, Yehuda HaMacabí. Depois de 3 anos de guerra, no outono do ano 164 aec, na época de Sukot, Yehuda HaMacabí e seus seguidores recuperaram o poder sobre o Templo de Jerusalém, que havia sido transformado em um santuário pagão. Dois meses depois eles o purificaram, dedicaram ao Deus de Israel e o reinauguraram. Este evento passou a ser anualmente comemorado em um festival de oito dias, conforme o padrão de Sukot, o Festival das Cabanas – e recebeu o nome de Chanuka. 

Com o passar do tempo os ḥashmonaím também se corromperam e seu poder foi se deteriorando.

O último líder hasmoneu foi Herodes, um judeu helenizado e criminoso. Este é um dos motivos pelos quais, séculos mais tarde, os sábios do Talmud tenham dado pouco espaço para a heroica vitória dos ḥashmonaím. Por outro lado, a festa já havia se tornado muito popular. Como comemorá-la sem exaltar demais o heroísmo de uma liderança que, com o tempo, se mostrou nada louvável? A tradição rabínica passou a atribuir a duração de oito dias do festival ao “milagre do óleo”.  

Os Sábios ensinaram: No dia 25 de Kislev iniciam-se os dias de Chanuka, oito no total. Nestes dias não se pode fazer discursos fúnebres nem jejuar. Por quê? Quando os gregos entraram no Santuário, contaminaram todos os óleos que havia lá. Depois que a monarquia da Casa dos ḥashmonaím se impôs e os venceu, eles buscaram e só encontraram um cântaro de óleo com o selo do Sumo Sacerdote, com o qual só era possível manter acesa (a Menorá) por um dia. Houve um milagre e, com este óleo, eles a mantiveram acesa por oito dias. No ano seguinte estes dias foram fixados (para serem comemorados) e se tornaram feriado, com orações de louvor e gratidão. (Bavli, Shabat 21b)

A solução rabínica, portanto, foi invocar uma história que acabou se tornando o símbolo maior do feriado. O “milagre do óleo” foi visto pelos rabinos como uma intervenção divina no dia a dia do Templo de Jerusalém, agora restaurado. Esta intervenção acabou se sobrepondo à vitória militar dos ḥashmonaím – e com isso, a prevalência da visão rabínica de Chanuka, mais iluminada e espiritual, em vez da visão sacerdotal mais baseada na força.

Rabino Uri Lam

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